Você pode colocar quantas músicas quiser.

Todos nós temos expectativas quanto ao casamento, moldadas pelas nossas primeiras lições de amor e pela história de nosso próprio desenvolvimento. Acabamos por levar para o casamento os nossos problemas inconscientes, nossos desejos mal resolvidos da infância, nossos medos e, por causa desses nossos anseios e frustrações, acabamos fazendo exigências (muitas vezes, desmedidas e impossíveis de serem satisfeitas ou atendidas) aos nossos parceiros, mesmo sem perceber que as estamos fazendo. Nos braços do ser amado, tentamos resolver nossas íntimas questões mal trabalhadas e, se o parceiro ou parceira não consegue entender nossas expectativas ou resolver nossos conflitos interiores, nós nos indispomos contra eles, quando não passamos a odiá-lo(a).
A SEPARAÇÃO TOTAL
Tudo o que afasta um do outro rompe a união perfeita, está contra a promessa no casamento: "O que Deus uniu o homem não separe". O rancor, as mágoas, a distância, a indiferença, vão criando a separação. São como tijolos que vão construindo um muro entre os dois. Este muro vai se tornando tão sólido e alto, que muitos casais não sabem sequer por que querem o divórcio. Já não têm mais nada em comum.
O que esta união significa, na prática, é que marido e mulher estão mais próximos um do outro do que qualquer outra pessoa ou coisa. Um é para o outro mais importante do que a casa, o lazer, os amigos, o trabalho.
Para o marido:
O homem, quando se casa, acha que já fez sua conquista. Agora se preocupa com outras coisas como a profissão, os negócios, carro, etc. A esposa fica em segundo ou até mesmo último plano. É uma governanta que está ali para servi-lo. "Ela que seja feliz com o que tem", é o que muitos maridos pensam.
Um fato muito importante que contribui para a separação, é a ausência do marido no lar.
Perspectivas impossíveis, necessidades diferentes, objetivos antagônicos, dinheiro (principalmente quando é pouco) , sucesso profissional ou a falta dele, presença ou ausência de filhos, acúmulo de pequenas decepções ou mágoas, um novo alguém que venha a ser a ponta do famoso triângulo, enfim, tudo e qualquer coisa pode ser fonte de tensão, desentendimento e dissolução conjugal. Mesmo para as pessoas que se casam com uma visão bem realista do que deve ser um casamento e da pessoa com quem estão se casando, a realidade que se descortina na vida a dois pode não corresponder a algumas ou a todas as suas expectativas.
Quando namoravam viam boas coisas um no outro. Depois do casamento, devido aos problemas e à rotina, surge uma tendência a salientar no outro somente pontos negativos, já que com o tempo, o companheiro(a) se expõe, se revela, tira as máscaras. É visto(a) em todas as situações possíveis. Enfrentando problemas, cansado(a), alegre, etc.
Como resultado, os defeitos se avolumam, viram uma montanha. Devido ao excesso de visão crítica, os olhos do esposo(a) não olham com amor e compreensão necessários. De repente, o companheiro(a) já não tem nada que inspire amor. Tudo piora quando queremos que o outro seja do nosso jeito. Aí surgem as cobranças.
A separação é algo tão delicado e estressante que há pessoas que sequer tocam neste assunto, mas ela existe e está por aí a nos acenar como um acontecimento possível de atingir a vida de qualquer um de nós. Então é importante que falemos sobre ela, que analisemos as separações que acontecem ao nosso redor, que ouçamos as queixas das pessoas conhecidas que já passaram por esse problema, para que tentemos aprender um pouco com suas experiências. Todo investimento emotivo nos torna vulneráveis a perdas e, por isso, muitas pessoas evitam envolver-se mais profundamente com alguém, mas valerá a pena poupar-se de saborear uma paixão, de viver um grande amor, de partilharmos nossa vida com alguém, só por causa do medo de sofrer no "depois"?... É preciso que o casal tenha tempo para a convivência, para serem cúmplices na vida.
Dois pontos importantes:
- Não adote posição de vítima: de autopiedade, sempre se queixando. Assim seu coração vai ser armado contra seu marido, criando barreiras. Não seja rabugenta e ranheta, ele não precisa disso. Precisa de alguém que o acolha, precisa sentir-se bem ao seu lado. Não o empurre para fora de casa. Com certa os amigos do bar, do futebol, irão acolhê-lo muito bem.
- Adapte-se ao seu modo de vida: amigos, passeios, comida. Seu marido precisa de uma companhia agradável. Isso vai gerar nele respeito e admiração por você, e vai começar a dar importância também às coisas que você gosta. Tudo isso faz parte da sua doação, sua santificação.
PENSE BEM,
Em qualquer idade, perder é, sempre, difícil, doloroso, sofrido! Separar-se, quando se tem certeza de que o relacionamento realmente está esgotado, pode não ser nada fácil, mas bem pior é o término de uma relação onde ainda restem dúvidas quanto à validade da relação, quanto à possibilidade, ou não, de se dar mais uma chance ao outro e a nós mesmos. O quadro se agrava e ainda se torna mais doloroso se ainda resta amor ou admiração pelo outro, de uma das partes ou de ambas. Se houver a crença de que "casamento é para toda a vida", o rompimento da união poderá assumir proporções gigantescas, transformando-se numa verdadeira tragédia.
Pare! Observe a pessoa que está a seu lado. Seu compromisso de união . Lembre-se da bênção matrimonial específica para você, que foi realizada pelo padre no dia do seu casamento.
O resultado de toda essa inversão de lugares e de importância, é que os casais podem às vezes viver a vida toda perto, mas estão na verdade separados. Constroem um relacionamento frustrante, superficial, sem graça. Então, mais e mais vão buscando satisfação fora do casamento.
Daí, chegamos à seguinte conclusão: para fortalecer a união é preciso amar, não buscar os próprios interesses; abafar o egoísmo e ceder; morrer um pouquinho, para que nasça a união.
Se a idéia de ambos os parceiros for a de que "o casamento só é válido e só deve existir enquanto for satisfatório para os dois", ainda que a separação não se torne tarefa simples, nem tampouco indolor, as chances de se superar mais rapidamente as dificuldades inerentes a ela são bem maiores. Para separar-se é preciso coragem. Coragem para nos examinarmos interiormente, para revermos nossos projetos de vida, para medirmos a proporção entre os nossos antigos anseios e as nossas reais realizações dentro do casamento, para tentarmos enxergar a realidade tal qual é e não como a idealizamos no passado, para enxergarmos os próprios defeitos e erros na troca que mantivemos com aquele(a) parceiro(a), etc.
O que a união significa, na prática, é que marido e mulher estão mais próximos um do outro do que qualquer outra pessoa ou coisa. Um é para o outro mais importante do que a casa, o lazer, os amigos, o trabalho.
É NECESSÁRIO TER CORAGEM
Coragem, para colocarmos uma pedra em cima de muitos planos e recomeçarmos a planejar o amanhã. A insofismável verdade é que não podemos fugir desse sofrimento quando ele nos atinge e, a única coisa correta a ser feita é encarar o problema de frente a fim de assimilá-lo e tentar vencê-lo. A separação é sempre uma perda, não importa se você "deixa" ou se "é deixado", porque separar-se significa deixar muita coisa para trás, deixar o cômodo e confortável espaço conhecido para aventurar-se pelo assustador terreno desconhecido.
Há pessoas que sofrem muito, outras menos, há até as que se sentem aliviadas por romper a relação, mas seja qual for a intensidade do afeto que une o casal, indubitavelmente, a separação imprime marcas psíquicas e provoca mudanças práticas na vida dos dois envolvidos. Esgotadas as chances de entendimento, nunca deve ser descartada a hipótese de o bichinho da dúvida vir nos corroer nos momentos de solidão pós-separação : " Essa foi a melhor decisão"? "Agi certo"? Às vezes, nós sabotamos a nós mesmos, apegando-nos apenas às boas lembranças, depois que a poeira assentou, e nos surpreendemos recordando um beijo, relendo uma carta ou cartão, chorando ao ouvir uma música que era "nossa", prolongando desta forma o nosso sofrimento e tornando mais difícil a reconstrução de nosso equilíbrio interior.
Existem duas virtudes que poderão ajudar você, se souber cultivá-las e empregá-las a seu favor : a humildade para reconhecer o seu erro e para se retratar perante seu (sua) "ex" e , novamente, a coragem para tentar reconquistar o ser amado, sabendo que poderá não ser mais correspondido(a). Finalizando, atentemos para o fato de que a separação pode ser uma excelente alternativa para uma relação que já se esvaziou de conteúdo, onde não haja mais amor, carinho e respeito, porém não deve ser nem se tornar uma postura de vida que conduza a pessoa a ser fútil, inconseqüente, ao ponto de pensar que qualquer dificuldade já é motivo para ir-se embora.
E, não será demais lembrar que, para quem volta a ficar "solteiro" haverá dois desafios básicos: o primeiro será o "lidar com a perda" e o segundo, "reconstruir a própria vida"...duas coisas não tão simples nem tão fáceis.